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Acidose metabólica: o que é, causas, CID e como investigar

Resposta rápida

Acidose metabólica é o distúrbio em que o bicarbonato cai (HCO₃⁻ < 22 mEq/L) por ganho de ácido ou perda de bicarbonato; na acidemia, o pH fica abaixo de 7,35. O ânion gap separa as causas: elevado (cetoacidose, lactato, uremia, tóxicos) ou normal (diarreia, acidose tubular renal, excesso de salina). O pulmão compensa baixando a PaCO₂, que deve ficar em 1,5 × HCO₃⁻ + 8 (± 2) (fórmula de Winter). CID-10: E87.2.

O que é acidose metabólica?

É a redução primária do bicarbonato sérico (HCO₃⁻ abaixo de 22 mEq/L), por ganho de ácido (produção endógena ou ingestão) ou perda de bicarbonato (gastrointestinal ou renal). Quando a compensação respiratória não basta, o pH cai abaixo de 7,35 (acidemia). Ao contrário da acidose respiratória, o problema começa no bicarbonato, não na PaCO₂.

Como regra de gravidade, pH abaixo de 7,20 é acidemia grave e abaixo de 7,10, muito grave. Para checar seus valores, use a calculadora de gasometria.

Qual o CID da acidose metabólica?

No CID-10, E87.2 — Acidose abrange a acidose metabólica não especificada, a acidose láctica e a acidose respiratória não especificada, dentro dos transtornos do equilíbrio hidroeletrolítico e ácido-base (E87). A cetoacidose diabética é codificada nos códigos do diabetes (E10 a E14, quarto dígito 1).

Quais são as causas de acidose metabólica?

O primeiro passo é calcular o ânion gap (Na⁺ − Cl⁻ − HCO₃⁻), corrigido pela albumina, e dividir em dois grupos.

Causas de acidose metabólica pelo ânion gap
GrupoCausas principais
Ânion gap elevadoCetoacidose (diabética, alcoólica, jejum), acidose láctica (choque, sepse, isquemia, metformina), insuficiência renal, intoxicações (metanol, etilenoglicol, salicilato, paracetamol em dose tóxica), 5-oxoprolina
Ânion gap normal (hiperclorêmica)Diarreia e fístulas, acidose tubular renal (tipos 1, 2 e 4), infusão de grandes volumes de soro fisiológico, acetazolamida, derivação urinária para o intestino

Os detalhes do grupo de gap elevado estão no mnemônico GOLD MARK; para separar a causa renal da gastrointestinal no gap normal, veja o ânion gap urinário; para suspeita de álcool tóxico, o gap osmolar.

Como investigar a acidose metabólica?

  1. Gasometria (arterial ou venosa) para pH, PaCO₂ e bicarbonato. O guia de gasometria arterial detalha valores e coleta.
  2. Eletrólitos e ânion gap, corrigido pela albumina.
  3. Lactato, cetonas, glicemia, ureia e creatinina para as causas do grupo de gap elevado.
  4. Compensação: aplique Winter. PaCO₂ acima do esperado indica acidose respiratória associada; abaixo, alcalose respiratória.
  5. Delta-delta: procura outro distúrbio (alcalose metabólica ou acidose de gap normal associada) quando há gap elevado.
  6. Gap osmolar e ânion gap urinário quando houver suspeita de intoxicação ou gap normal sem causa evidente.

Quais são os sintomas?

Os sinais dependem da gravidade e da causa: respiração rápida e profunda (Kussmaul), falta de ar, náuseas e vômitos, dor abdominal, fraqueza, confusão e sonolência. Na acidemia grave, entram a hipotensão, a depressão da contração do coração e as arritmias, e pode haver hipercalemia por deslocamento do potássio para o plasma. Na doença de base, os achados dominam o quadro (desidratação na cetoacidose, choque no lactato, diarreia na acidose hiperclorêmica).

Como é o tratamento?

O tratamento é o da causa: insulina, hidratação e reposição de potássio na cetoacidose diabética; restauração da perfusão e controle do foco na acidose láctica; diálise na uremia ou em certas intoxicações; reposição de bicarbonato e correção das perdas na acidose de gap normal. É informação educativa: a conduta cabe à equipe assistente.

O uso de bicarbonato de sódio endovenoso é controverso. O estudo BICAR-ICU (2018) sugeriu benefício na sobrevida só no subgrupo com lesão renal aguda grave e pH ≤ 7,20; na população geral de acidose grave, o resultado não foi favorável. A decisão é individual e supervisionada.

Tem os valores da gasometria?
A calculadora confere Winter, ânion gap corrigido e delta-delta.
Abrir a calculadora de gasometria →

Perguntas frequentes

O que é acidose metabólica?

É a queda do bicarbonato do sangue (abaixo de 22 mEq/L), por produção ou ingestão excessiva de ácidos, perda de bicarbonato ou menor excreção renal de ácidos. Quando o pH cai abaixo de 7,35, há acidemia. O organismo compensa aumentando a ventilação.

Qual o CID da acidose metabólica?

O CID-10 da acidose metabólica é E87.2 (acidose), grupo que também inclui a acidose láctica e a acidose respiratória não especificada. Para a cetoacidose do diabetes use os códigos E10 a E14 com o quarto dígito 1.

Qual o pH da acidose metabólica grave?

Em geral, pH abaixo de 7,20 é considerado acidemia grave e abaixo de 7,10 muito grave, com risco de arritmias, hipotensão e depressão miocárdica. A gravidade clínica depende também da causa, da velocidade de instalação e do estado hemodinâmico.

Como saber se a acidose metabólica está compensada?

Aplique a fórmula de Winter: PaCO₂ esperada = 1,5 × bicarbonato + 8 (± 2). Se a PaCO₂ medida estiver dentro dessa faixa, a compensação respiratória é adequada. Acima do esperado, há acidose respiratória associada; abaixo, alcalose respiratória associada.

Quais as causas mais comuns de acidose metabólica?

Com ânion gap elevado: cetoacidose diabética ou alcoólica, acidose láctica (choque, sepse, isquemia), insuficiência renal e intoxicações (metanol, etilenoglicol, salicilato). Com ânion gap normal: diarreia, acidose tubular renal, infusão de soro fisiológico em grande volume e acetazolamida.

Qual a diferença entre acidose metabólica e respiratória?

Na metabólica o problema primário é o bicarbonato baixo; na respiratória, é a PaCO₂ alta por ventilação insuficiente. No pH baixo, o bicarbonato baixo indica a causa metabólica e a PaCO₂ alta, a respiratória; as duas podem coexistir.

Acidose metabólica tem cura?

Na maioria dos casos é reversível quando a causa é tratada: insulina, hidratação e potássio na cetoacidose, restauração da perfusão na acidose láctica, diálise na uremia ou intoxicação grave, correção das perdas de bicarbonato. O bicarbonato venoso tem papel limitado e controverso.

Referências

  1. Kraut JA, Madias NE. Metabolic acidosis: pathophysiology, diagnosis and management. Nat Rev Nephrol. 2010;6:274–285.
    Esta fonte dá suporte a: Características, avaliação diagnóstica e princípios de manejo da acidose metabólica.
  2. Berend K, de Vries APJ, Gans ROB. Physiological approach to assessment of acid–base disturbances. N Engl J Med. 2014;371:1434–1445.
    Esta fonte dá suporte a: Interpretação em etapas dos distúrbios ácido-base e dos quadros mistos.
  3. Jaber S, et al. Sodium bicarbonate therapy for patients with severe metabolic acidaemia in the ICU (BICAR-ICU). Lancet. 2018;392:31–40.
    Esta fonte dá suporte a: Resultados e limites da terapia com bicarbonato na população do ensaio BICAR-ICU.
  4. Albert MS, Dell RB, Winters RW. Quantitative displacement of acid-base equilibrium in metabolic acidosis. Ann Intern Med. 1967;66:312–322.
    Esta fonte dá suporte a: Relação quantitativa original usada para estimar a compensação respiratória na acidose metabólica.
  5. Organização Mundial da Saúde. CID-10: E87.2.
    Esta fonte dá suporte a: Classificação oficial da acidose na CID-10.

Conteúdo educativo, sem caráter de prescrição. Autoria: Dr. Carlos Eduardo Miranda Bruzzi Felipe, médico, com experiência em emergência pediátrica · CRM/MG 105.721. Atualizado em 11/10/2026. Veja também a calculadora de ânion gap e o guia de osmolaridade.